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Uma semana intensa na política – mudanças no Ministério da Saúde e nas Relações Institucionais, a continuidade da queda de Lula nas pesquisas, entre outros temas. Mas é Carnaval, e, portanto, este será o nosso assunto da semana.
Diante das adversidades e desafios que permeiam a rotina de muitos brasileiros, o Carnaval se apresenta como um refúgio e, simultaneamente, uma celebração da esperança. Nas ruas do Rio de Janeiro e de Salvador – duas cidades onde a pobreza e a violência muitas vezes se fazem sentir – o batuque do samba e o axé vibram como um hino à resistência e à alegria de viver. Mesmo quando o bolso aperta e a realidade pesa, o povo encontra no Carnaval a capacidade de transformar a adversidade em festa.
Ô, que festa! Amanhã começa oficialmente o Carnaval no Brasil – e no Rio de Janeiro, ele ganha contornos de espetáculo absoluto. A cidade se transforma, a Sapucaí vira o grande palco da folia e os blocos de rua arrastam multidões por todos os cantos. Em meio aos perrengues diários, quando a vida pesa mais que um caminhão carregado, chega o Carnaval como um sopro de ar fresco (difícil nestes dias…) – um grito de “vamos que vamos” que transforma sufoco em alegria.
Nas avenidas e becos, o batuque do samba, o axé contagiante e os ritmos envolventes fazem um barulho de “bum, bum, bum” que ecoa esperança. Mesmo com a carteira batendo na tranca e a realidade parecendo uma novela dramática, o povo se entrega de corpo e alma à folia. Nos blocos de rua, nas escolas de samba e nos trios elétricos, a multidão se reúne para, por alguns dias, deixar os problemas de lado e celebrar a vida com toda a força do coração.
E tem mais: um detalhe que só o Carnaval pode proporcionar. As diferenças políticas se dissolvem. Lulistas e bolsonaristas, esquerda e direita, largam as disputas e até se abraçam – afinal, a folia é tão contagiante que, por um breve momento, o que importa é a alegria compartilhada, antes que tudo se acabe na quarta-feira e a rotina volte a chamar.
E não é só a alma que se renova – o Carnaval também é um motor poderoso para a economia! A chegada de turistas de todos os cantos faz o comércio bombar, os hotéis lotarem e os bares se transformarem em verdadeiros pontos de encontro. É um movimento econômico que envolve desde a produção de confetes até os serviços de transporte, hospedagem e alimentação, gerando empregos e movimentando bilhões de reais. Esse festival transforma cada cidade num grande centro de oportunidades, fazendo a economia florescer como um verdadeiro carnaval de lucros.
No Rio, São Paulo, Recife, Salvador, e outras cidades o Carnaval é mais que uma festa; é um retrato vivo da nossa dualidade, onde a alegria desabrocha mesmo nos momentos sombrios. É o símbolo de que, mesmo quando a realidade bate forte, a criatividade e o gingado do povo transformam cada esquina num palco de sonhos e superação. Confetes e serpentinas voam pelo ar, colorindo as cidades com esperança e ousadia.
Por isso, o Carnaval é a alma do Brasil – um espetáculo onde a crítica social se mistura à diversão, onde a tristeza se dissipa no compasso dos tambores e cada sorriso é uma vitória contra as adversidades. É uma arte de transformar o ordinário no extraordinário, um convite para que, mesmo nos dias mais difíceis, a gente se lembre de que a vida merece ser celebrada com toda a intensidade que só o Brasil sabe dar.
E como já cantava Zé Keti , na voz do povo e da folia:
"Tanto riso, ah, quanta alegria...
Mais de mil palhaços no salão..."
Porque se tem algo que o Brasil sabe fazer bem, é rir da própria dor – ao menos até a quarta-feira de cinzas chegar. Depois... bem, depois a gente vê.
Filinto Branco – Colunista Político
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