CPI forçou Bolsonaro a comprar vacinas e revelou a corrupção no Ministério da Saúde

Crimes sanit

CPI forçou Bolsonaro a comprar vacinas e revelou a corrupção no Ministério da Saúde

A CPI da Covid retoma suas atividades públicas nesta terça-feira (3) com o depoimento do “reverendo” Amilton Gomes de Paula. Na primeira fase, antes do recesso da segunda quinzena de julho, a comissão superou as desconfianças de que acabaria “em pizza”. Obteve inclusive a aprovação popular. Revelou fatos que comprovam cabalmente a responsabilidade do governo de Jair Bolsonaro e seu Ministério da Saúde perante a tragédia sanitária que se abateu sobre o país com a pandemia de coronavírus, que já levou à morte quase 560 mil brasileiros. Os resultados concretos trazidos pela comissão são irrefutáveis, informa Eduardo Maretti, da RBA.

Entre eles, ter forçado o governo negacionista de Bolsonaro a ir atrás de vacinas. Se antes da CPI o país assistiu ao presidente atacar a CoronaVac incessantemente, a comissão demonstrou depois que o imunizante da Pfizer foi objeto de um boicote sistemático. Isso indica, segundo vários senadores, que a sabotagem aos imunizantes, mais do que omissão, era uma politica em si.

O escândalo da Covaxin
A CPI, instalada em 27 de abril, revelou também o nebuloso contrato da Covaxin, a vacina indiana objeto de obscuras negociações envolvendo a Precisa Medicamentos e até mesmo uma empresa de fachada em Singapura, a Madison Biotech, à qual deveriam ser destinados antecipadamente 45 milhões de dólares. O contrato foi extinto devido às apurações da CPI. Nesse ponto, a comissão já caminhava para penetrar na corrupção do Ministério da Saúde, e conhecer a estranha relação com intermediários como o PM Luiz Paulo Dominguetti, que se dizia representante de uma empresa (Davati) que prometia vacinas que não tinha.

Para os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Otto Alencar (PSD-BA), são muitos os resultados concretos da comissão até aqui. “Por conta da pressão que CPI gerou, ao mostrar às pessoas o que aconteceu, o governo foi obrigado a deixar o discurso antivacina e começou a buscar os imunizantes. Diminuíram também as ações pelo tratamento precoce”, anota o petista.

Crime sanitário
Alencar aponta o crime sanitário configurado na comprovada orientação governamental para o uso de hidroxicloroquina. O medicamento não evita que o paciente contraia a doença nem que seja curado. Ele lembra que o próprio Ministério da Saúde divulgou o “kit covid”. Segundo o senador, em decorrência do trabalho da comissão, o presidente, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, seu então secretário executivo, Élcio Franco, “e todos os membros do gabinete das sombras” serão responsabilizados.

Humberto Costa menciona o fato de que, com as revelações da CPI, os seguidores de Bolsonaro diminuíram os discursos negacionistas e a popularidade do presidente caiu. “Além disso, nosso trabalho impediu negócios nebulosos como o da Covaxin, mostrou a questão da Davati e obrigamos o governo a comprar o “kit intubação”. Tudo isso são efeitos da CPI.”

Para Alencar, a CPI provou concretamente que dentro do Ministério da Saúde havia tráfico de influência, improbidade administrativa, corrupção e superfaturamento na compra de medicamentos. Destaca que o governo assinou o contrato de R$ 1,6 bilhão em 25 de fevereiro para a compra da Covaxin, o que por fim só não foi efetivado porque o servidor Luís Ricardo Miranda evitou o negócio. O presidente da República teria sido informado da irregularidade do contrato. “E ele não tomou providência e prevaricou.”

A perversidade no Amazonas
Para Alencar, uma das mais graves e perversas consequências da atuação do Bolsonaro, seus ministros e seguidores, no período de pandemia, se deu no Amazonas. “O crime sanitário em Manaus, quando estimularam a imunidade de rebanho levando a óbito tantas pessoas que morreram por falta de oxigênio. Todos os que participaram desse crime sanitário, previsto no artigo 268 do Código Penal, serão responsabilizados. A denúncia será encaminhada à Câmara, à PGR e à Corte Internacional de Haia”, promete o senador da Bahia.

No auge da mortandade em Manaus, em janeiro deste ano, com pessoas morrendo sufocadas, sem assistência e abandonadas à própria sorte, a ainda hoje secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro, conhecida como Capitã Cloroquina, foi com equipe a Manaus. O objetivo não era resolver a crise de oxigênio, mas divulgar o tratamento com hidroxicloroquina, já então comprovadamente ineficaz no tratamento à covid-19.

“A CPI deverá agora mostrar coisas mais concretas ainda referentes ao grupo à frente do Ministério da Saúde, administrado por 11 meses por um general que confessou na CPI que não entendia absolutamente nada de covid-19 nem de saúde”, diz Otto Alencar.

Por Ultima Hora em 31/07/2021

Comentários

  • Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!

Notícias Relacionadas

Gonçalves Dias presta depoimento à Polícia Federal em Brasília: o que esperar?
21 de Abril de 2023

Gonçalves Dias presta depoimento à Polícia Federal em Brasília: o que esperar?

Tainá Sousa, Estrela Maranhense na Passarela da Mangueira, Irradia Emoção e Promete Desfile Memorável no Carnaval 2025
23 de Fevereiro de 2025

Tainá Sousa, Estrela Maranhense na Passarela da Mangueira, Irradia Emoção e Promete Desfile Memorável no Carnaval 2025

Convidada por Itamar, dona Sarah voltou ao Palácio da Alvorada 32 anos depois
27 de Maio de 2021

Convidada por Itamar, dona Sarah voltou ao Palácio da Alvorada 32 anos depois

Pastor Jarkson, organizador do Acelera Para Cristo com Bolsonaro, recebeu 16 parcelas de auxílio emergencial
17 de Abril de 2022

Pastor Jarkson, organizador do Acelera Para Cristo com Bolsonaro, recebeu 16 parcelas de auxílio emergencial

Aguarde..