Cúpula do Clima: EUA quer o Brasil mostrando resultados concretos sobre o desmatamento na Amazônia

Levantamento preliminar feito pelo Instituto Imazon registrou em mar

Cúpula do Clima: EUA quer o Brasil mostrando resultados concretos sobre o desmatamento na Amazônia

Durante a realização da Cúpula de Líderes sobre o clima hoje (22/04), interlocutores do governo americano, apontam o que a Casa Branca gostaria de ver como "resultados tangíveis" com a redução do desmatamento ainda este ano. A medição anual da destruição da floresta realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) se dá entre agosto do ano anterior e julho do ano corrente, o que deixa um espaço de poucos meses para uma reversão da alta no desmate. 

Levantamento preliminar feito pelo Instituto Imazon registrou em março a maior taxa de destruição da Amazônia para aquele mês em dez anos. Foram 810 quilômetros quadrados de floresta desmatada, alta de 216% na comparação com março de 2020. Segundo o Inpe, a destruição da Amazônia somou 10.129 quilômetros quadrados entre agosto de 2018 e julho de 2019, ultrapassando a marca de dez mil quilômetros quadrados pela primeira vez desde 2008. Já no ano seguinte, o desmatamento teve nova alta, de 9,5%, para 11.088 quadrados. 

Biden cria o posto de Enviado Especial Climático 

Anfitrião virtual da Cúpula, o presidente americano Joe Biden recepcionando 40 chefes de Estado, entre eles o mandatário brasileiro Jair Bolsonaro. Pela primeira vez na história, o presidente americano criou na administração federal dos EUA o posto de Enviado Especial Climático, que conferiu a John Kerry a missão de viabilizar a pauta verde dos democratas doméstica e internacionalmente. O evento é visto como uma oportunidade central para que Biden assuma o papel de protagonismo político global em questões climáticas. 

Ocorre que além do aumento do desmatamento, o estopim para o congelamento dos recursos aconteceu depois que o Brasil fez mudanças na estrutura de administração do fundo sem ouvir os dois países. Na ocasião, o governo Bolsonaro decidiu pela extinção do comitê orientador do Fundo Amazônia, criado para estabelecer critérios de aplicação do dinheiro na floresta. 

 Noruega e Alemanha repassaram R$ 2,9 bilhões para o Brasil 

Enquanto o governo Bolsonaro insiste por recursos externos para preservação, o Brasil tem R$ 2,9 bilhões repassado por Noruega e Alemanha parados desde 2019 no Fundo Amazônia, segundo o Observatório do Clima. 

Além do aumento do desmatamento, o estopim para o congelamento dos recursos aconteceu depois que o Brasil fez mudanças na estrutura de administração do fundo sem ouvir os dois países. Na ocasião, o governo Bolsonaro decidiu pela extinção do comitê orientador do Fundo Amazônia, criado para estabelecer critérios de aplicação do dinheiro na floresta. 

Leia também: PF troca chefe que pediu investigação de Ricardo Salles

Polícia Federal apresenta notícia-crime contra Ricardo Salles no STF

Em nota enviada à BBC News Brasil, o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Sveinung Rotevatn, reagiu ao pedido de recursos do governo brasileiro cobrando entrega de resultados. 

"A Noruega e outros países enfatizaram em conversas recentes com o Brasil que a comunidade internacional está preparada para aumentar o financiamento ao Brasil assim que o Brasil apresentar resultados na redução do desmatamento. Diminuir o desmatamento no curto prazo é uma questão de vontade política, não de falta de financiamento adiantado", disse ele. 

Meio Ambiente: Salles não deve sair 

Na véspera da Cúpula de Líderes sobre o Clima, em meio a pressões e protestos contra o ministro do Meio Ambiente na internet, o presidente Jair Bolsonaro participou ontem (21), feriado nacional, de um churrasco ao lado de Ricardo Salles e outros ministros na casa do titular das Comunicações, Fábio Faria que postou foto de encontro com a hashtag #ficasalles, em uma forte sinalização de que o governo não pretende ceder às pressões pela saída do ministro. 

O encontro ocorre em meio a manifestações de ONGs e de artistas para que os EUA não repassem recursos ao Brasil em acordo que será discutido na cúpula hoje 22/04. O evento climático ainda convive com uma coincidência de datas: a reunião ministerial em que o ministro Ricardo Salles falou em "passar a boiada" aconteceu em 22 de abril de 2020. 

Por: Roberto Monteiro Pinho/BBC News/R7 Planalto/Imagens/Internet. 

Por Ultima Hora em 22/04/2021

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