Lei que teria motivado morte de Marielle legalizou 149 bairros do RJ sem estudo nem planejamento

Regulariza

Lei que teria motivado morte de Marielle legalizou 149 bairros do RJ sem estudo nem planejamento

Marielle era contra o projeto

A lei complementar municipal que teria motivado o assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018, regularizou 149 bairros da cidade do Rio de Janeiro, em áreas de proteção ambiental e lotes desocupados, sem estudos nem planejamento, como destacou a decisão do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) que a declarou inconstitucional. A legislação ainda incentivava a "especulação imobiliária de áreas dominadas por milícias".

Apontados como supostos mandantes do crime, que também tirou a vida do motorista Anderson Gomes, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram presos neste domingo (24). Chiquinho, autor da lei, também era vereador à época das mortes.

O projeto regularizava terrenos dominados pela milícia. Marielle era contra o projeto e considerada o principal ponto de resistência dentro da Câmara de Vereadores.

A lei foi aprovada, mas vetada pelo então prefeito Marcelo Crivella. O veto foi derrubado pelos parlamentares, o que motivou o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) a entrar com uma ação no TJRJ. O tribunal declarou a lei inconstitucional por "usurpar a função do chefe do Executivo e ferir a constituição do estado do Rio de Janeiro."

As leis complementares abrangiam, ao todo, 13 bairros. A lei questionada estendeu sua aplicação a 162, incluídas áreas de preservação ambiental e lotes sequer ocupados, o que seria um incentivo à especulação imobiliária de áreas dominadas por milícias, por exemplo. Como se não bastasse, foi editado sem qualquer estudo ou planejamento a lhe conferir um mínimo de legitimidade. 

DECISÃO DO TJRJ QUE DECLAROU INCONSTITUCIONAL LEI DO ENTÃO VEREADOR CHIQUINHO BRAZÃO

A legislação de autoria de Chiquinho alterava duas leis, que abrangiam a regularização de 13 bairros da capital fluminense. O então vereador, porém, estendeu a permissão para 162 localidades.

"O ato, ao dispor sobre o loteamento do solo de quase todo o município do Rio de Janeiro, interferiu nas atividades do Poder Executivo. O uso e parcelamento do solo são atividades administrativas, exclusivas do Executivo", destacou à época a decisão do TJRJ, com destaque para "inconstitucionalidade orgânica formal" e "vício formal de iniciativa".

Entenda

Apontados como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão foram presos na manhã deste domingo (24), em uma operação da Polícia Federal, com participação da Procuradoria-Geral da República e do Ministério Público do Rio de Janeiro. O crime também tirou a vida do motorista Anderson Gomes.

Também foram cumpridos 12 mandados de busca e, além dos irmãos, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o delegado Rivaldo Barbosa, foi preso. Os mandados foram expedidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

João Francisco Inácio Brazão, conhecido como Chiquinho, é deputado federal do União Brasil pelo Rio de Janeiro. Assim como Marielle, ele era vereador do município quando o assassinato ocorreu. O envolvimento do parlamentar fez com que as investigações fossem ao STF, já que Chiquinho tem foro privilegiado. A relatoria do processo foi distribuída por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, da Primeira Turma, por se tratar de uma ação criminal.

Domingos Brazão é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson, o ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou aos investigadores, em delação premiada, que Domingos teria encomendado o crime.

Lessa teria afirmado que o crime seria uma vingança contra o ex-deputado estadual Marcelo Freixo e a ex-assessora dele, Marielle Franco.

 

 

 

Por Ultima Hora em 25/03/2024

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