Orgulhoso de seus símbolos, Rio comemora 460 anos

Conheça alguns dos ícones da Cidade Maravilhosa que se tornaram patrimônio cultural imaterial por iniciativa da Câmara de Vereadores

Orgulhoso de seus símbolos, Rio comemora 460 anos

“Coração do meu Brasil”, como eternizou o seu hino, e primeiríssima cidade do mundo a receber o título de patrimônio mundial da Unesco como Paisagem Cultural Urbana, em 2012, o Rio comemora 460 anos no próximo sábado, 1º de março. Com cenários deslumbrantes, celebrados em verso e prosa, filmes e canções, a Cidade Maravilhosa abriga também um tesouro valioso: o povo carioca e suas peculiaridades. Segundo o poeta Vinicius de Moraes, ser carioca é mais do que um gentílico, “é um estado de espírito”. 

Nesse sentido, a Câmara Municipal do Rio tem aprovado diversas leis que enaltecem a carioquice em seus mais variados aspectos, por meio da declaração como patrimônio cultural de natureza imaterial da cidade. O sotaque carioca, com o seu inconfundível chiado no “s”, é um desses exemplos, contemplado pela Lei 5.982/2015. A paixão pela praia e pelos esportes também foi reconhecida. Quem dispensa uma roda de altinho - ou altinha? - no fim da tarde, nem que seja só para admirar a habilidade de meninos e meninas à beira-mar? A modalidade se tornou patrimônio cultural de natureza imaterial (Lei 6.711/2020), assim como o futevôlei (Lei 6.196/2017) e o futmesa (Lei 7.513/2022). Esportes mais radicais como o voo livre (Lei 7.520/2022) e o surfe (Lei 8.593/2024) também integram a lista. 

Quem comemora a consagração do surfe como patrimônio da cidade é Ricardo Fontes de Souza, mais conhecido como Rico. Pioneiro da modalidade no Brasil, foi ele quem ajudou a consolidar a sua prática no país ao promover o primeiro campeonato brasileiro, em 1975. Esse foi o embrião para a entrada do Brasil na primeira edição do circuito mundial, em 1976, e para a onda de conquistas obtidas pela nova geração, integrada por Gabriel Medina, Filipe Toledo, Ítalo Ferreira e cia. – a Brazilian Storm (Tempestade Brasileira) –, que colocou o país no topo da modalidade. Segundo Rico, ver o esporte da sua vida como patrimônio da cidade é motivo de muita satisfação.

“O berço do esporte no Brasil foi o Arpoador. Quando comecei, eram poucos os praticantes. Mas hoje o surfe está cada vez mais democrático, com campeões que vêm desde a comunidade mais carente aos condomínios mais nobres da cidade. E o Rio de Janeiro, com suas praias maravilhosas e sol o ano inteiro, respira surfe. Por isso, fazer parte dessa história e ver a modalidade como patrimônio cultural me enche de orgulho”, celebra o veterano surfista.

Outra marca registrada da cidade é a música. Ritmos extremamente populares que conquistaram o país nasceram aqui no Rio. Um exemplo é a bossa nova, cujos acordes dissonantes e batida sincopada ganharam o mundo na voz de João Gilberto e Tom Jobim, entre outros gênios. O estilo foi imortalizado pela música “Garota de Ipanema”, composição escrita em 1962 por Tom e Vinícius, que lidera o ranking das músicas brasileiras mais regravadas da história e ganhou o mundo na versão em inglês, com Frank Sinatra.

Um dos maiores nomes do gênero, o violonista, compositor e produtor musical Roberto Menescal, falou sobre a importância desse reconhecimento para a cultura nacional. “Que me desculpem os outros estados do Brasil, mas a bossa nova só poderia ter nascido no Rio, em Copacabana, Ipanema e Leblon. Ela foi um passo determinante para a nossa cultura, dando mais leveza à música e ao comportamento do carioca. Como dizia meu parceiro Ronaldo Bôscoli, nós tiramos a gravata da música brasileira. Por isso, foi grande a satisfação de ver o gênero declarado como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro”, afirmou. A bossa nova foi declarada patrimônio da cidade pela Lei 8.558/2024

“Quando as pessoas dizem que ser carioca é um estado de espírito, não estão exagerando. O Rio está sempre inovando, deixando sua marca na cultura brasileira e no mundo. A bossa nova é um grande exemplo, pois influenciou músicos de muitas nacionalidades”, celebra o presidente da Câmara, o vereador Carlo Caiado (PSD).

Ancestralidade

O mais velho dos gêneros musicais cariocas, o choro, criado no final do século XIX por músicos negros escravizados, também está na lista. Mistura de elementos das danças de salão europeias com a música popular portuguesa e africana, o “chorinho”, como é popularmente conhecido, ficou imortalizado nas canções de Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Viriato Figueira, entre outros nomes. 

Para o flautista, saxofonista, compositor, arranjador e criador de diversas rodas de choro pela cidade Eduardo Neves, esse reconhecimento é um marco para a arte e a cultura carioca. “Sempre tivemos muitas rodas em toda a cidade e isso me estimulou a querer aprender um instrumento, a me profissionalizar e a viver no ambiente musical. Posso dizer que entrei na música por causa do choro. Então acho muito bom esse reconhecimento pela Câmara do Rio, pois a cultura é algo vivo, e o choro está vivo nas ruas, nos bairros, no coração e na alma de todos nós”, afirmou. 

Representam o estilo no rol do patrimônio imaterial da cidade o Reduto Cultural do Choro Alfredo da Rocha Vianna Filho (Pixinguinha), de Olaria (Lei 8044/2023); e a Roda de Choro da Praça Jardim Laranjeiras, de Laranjeiras (Lei 7.500/2022).

E seria impossível falar do Rio de Janeiro sem mencionar o samba, marca registrada da cidade ao som de surdos, repiques e tamborins. Com suas raízes na cultura africana e no folclore brasileiro, o samba é mais do que um símbolo do Rio, é um componente da identidade nacional. Diversas agremiações responsáveis pelo maior espetáculo da Terra – os desfiles na Marquês de Sapucaí – são reconhecidas pela legislação municipal, como a Unidos da Tijuca (Lei 8.594/2024), a Unidos de Vila Isabel (Lei 8.056/2023) e a Unidos de Padre Miguel (Lei 7.561/2022). E como não poderia deixar de ser, outro marco do carnaval de rua da cidade também foi reconhecido pelos vereadores: os tradicionais blocos carnavalescos foram considerados patrimônio da cidade pela Lei 7.522/2022

Do passinho ao bolinho

E o que dizer da arte urbana? Tema de novelas e até de matéria no jornal The New York Times, a dança do passinho e a batalha do passinho são ícones da cultura negra carioca. O principal reduto dessa arte é o Viaduto Negrão de Lima, em Madureira, que há 35 anos promove o baile charme mais famoso do Rio. A Câmara Municipal considerou tanto a dança como a batalha patrimônio cultural imaterial pelas leis 6.381/2018 e 7.524/2022, respectivamente. 

E quando o assunto é comida, o carioca não fica de boca fechada para alardear as suas iguarias. Uma invenção típica do Rio de Janeiro que não pode faltar nos bares e restaurantes é o bolinho de feijoada. O quitute recheado de tutu à mineira, bacon e linguiça caiu no gosto popular e foi reconhecido como patrimônio municipal pela Lei 7.096/2021. Aliás, a feijoada tradicional também foi contemplada. A Lei 7.323/2022 consagra a Feijoada do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira como patrimônio do município.  

Esses são apenas alguns exemplos de toda a riqueza cultural e gastronômica produzida na cidade. A Câmara do Rio tem orgulho de poder reconhecer esses símbolos, que representam a quintessência da cultura carioca e transbordam os limites da cidade – e até do país. Parabéns, Rio, pelos seus 460 anos!

Por Ultima Hora em 02/03/2025

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